segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Existe o que eu sei

Desaparece quando fecho os olhos

Escutando sua voz

A simplicidade toma espaço

Ouço a certeza

Que a felicidade existe
Estou voltando

Começo

No ponto de partida

Tenho a chance de consertar

As tempestades em copos de vidro

Brigamos por tão pouco

Deixe-me voltar

Desde o princípio

Quando nos despedimos

Era tão fácil voltar atrás

Ninguém diria o impossível

Ainda vejo você ali parado

Esperando eu me atrasar

Em maquiagem e vestido

Numa beleza nova

Diga-me quantas vezes eu me atrasei

Em dizer que te amava

Antecipando seus sentimentos

Eu quis pular os passos

Do nosso manual

Não havia regras

Até onde poderíamos chegar?

Vamos voltar ao começo

Quando você não tinha nome

E os compromissos pareciam distantes

Nosso olhar cruzando

Era tudo o que possuíamos


(Amor, não brigamos nunca.É só licença poética...)
Como

Todo gosto

É mistura

E arde no céu da boca

Cada parte

Toca a língua

E derrete na garganta

Como de olhos fechados

Consigo ver as cores

No verde cítrico do limão

Cozinho

Numa seqüência de gestos

As panelas têm um som

Uma orquestra de colheres

Toma espaço em minhas mãos

Uma prova cai na boca

Os ajustes vão a mesa

Alimento meu espírito

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O vento penteia as ondas

O sopro forte arranca a areia

Leva um pouco da praia

Para as ruas que invadem o espaço

Onde antes era água

Aproveito as quartas

Tão vazias

Para ficar só

No silêncio que paira

Sobre o mar

Meu olhar ancora

E ali fica

Sem sentenciar nada

terça-feira, 17 de novembro de 2009

As pequenas mãozinhas esfregam o rosto

O choro sem motivo

A manha de toda criança

Tudo parece monotonia

Quando a pirraça se faz constante

Todo não parece sim

Mas todo sorriso parece mudar

E eu preciso estar ali para ver

Eu preciso ver você crescendo

Cada passo que dá

Dá mais forças para eu levantar de manhã

E pensar duas vezes antes de brigar por coisas tão pequenas

Você precisa crescer ouvindo outros sons

Além das broncas por correr demais

Precisa brincar para aprender

E aprender a brincar com o que antes não tinha graça

Preciso crescer com você

Com tudo o que me ensina

Nasço outra vez

Quando me vejo por seus olhos

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Escureceu

E medo mais primordial surgiu

Num apagão inesperado

O país se viu obrigado

A dormir mais cedo

Quando o tédio era demais

Não vendo um palmo a frente

Acenderam as luzes ancestrais

Castiçais improvisados

De velas coladas em cera

Em latas de ervilhas

Cada um era uma criança

Todos com medo de escuro

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Eu não preciso estar dormindo para sonhar

Confesso que às vezes fecho os olhos para ver melhor

Mas amanhã quero estar de olhos bem abertos

Não adianta o pesadelo me assustar

Ainda respiro

Apesar das pernas hesitarem

Espero o avião chegar

Para vislumbrar o mundo

Numa overdose de Dramin